quinta-feira, 31 de março de 2011

"Meu filho só diz não"


"Ele era tão bonzinho, comia de tudo, tomava banho sem birra, aceitava as roupas que eu oferecia. Agora está um inferno, não quer comer direito, tudo que digo para fazer ele diz não. Na hora de sair de casa é um 'stress', não quer se vestir, não quer escovar os dentes. Não sei o que está acontecendo..." 
É comum ouvir mães e pais aflitos com essa questão, cansados, sem saber como se portar diante desse " novo filho". O que está acontecendo, é que o bebê cresceu!
Por volta dos dois anos, a criança quer escolher sua comida, sua roupa, a hora de dormir, etc. Quer , principalmente, usar a palavra "não", e isso, que pode ser incômodo para os pais é fundamental para seu crescimento. Quando diz não para os outros, ela está dizendo sim para si mesma. Está exercitando a idéia de que a vontade dela é separada da dos pais, o que a fortalece e a torna separada deles. É como se ela dissesse: isso é o que voce quer, eu não sou voce e portanto não quero isso. 
É bom nesse momento que ela tenha a possibilidade de fazer valer o próprio não, mas também que os pais façam valer os limites que lhes pareçam importantes. 
Uma criança de três anos não pode decidir que vai sair de casa com roupa de verão quando está frio, mas pode decidir se vai vestir a camiseta verde ou a vermelha, ou com que brinquedo vai brincar... Quando os "nãos" da criança estão excessivos, vale a pena ver se os "nãos" dos pais também não estão além do necessário!

Marcia Arantes e Helena Grinover

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sexta-feira, 25 de março de 2011

Compra?

Uma avó conta que seu neto de sete anos de idade toda vez que a encontrava, antes de qualquer coisa dizia "vovó me compra ..." Pedia o que queria ganhar no Natal, no Dia das Crianças, no Aniversário, na Páscoa. Em determinado momento ele já havia "encomendado" presentes para mais de dois anos. A avó ficava bastante atrapalhada porque se via frente a pedidos que não sabia se poderia e se desejaria atender. Ela ia respondendo com "não sei , veremos, quando eu puder".
Acabou por reclamar dizendo a ele que antes de tudo, ele  pensava no que ela poderia lhe dar! Nem assim, o garoto mudou de atitude, apenas passou a colocar um "se você puder" antes de despejar mais um pedido...
Certo dia, essa avó encontrou outra saída, disse ao  neto: "querido, vamos fazer assim, pode ir me dizendo tudo que gostaria de receber de presente, é bom para eu ficar sabendo do que você gosta, quais são as novidades, depois eu penso ..."
Desta maneira, libertou-se do constrangimento e ele ficou mais à vontade para partilhar suas vontades.
O garoto continuou num ritmo diferente, com menos sofreguidão, e depois de um tempo passou a falar de presentes só quando estavam próximas as datas convencionais. Provavelmente, o que ele mais queria era poder falar dos tantos desejos que tinha!
Muitas vezes os adultos tem dificuldade em perceber a diferença entre ouvir as expressões do desejo e ter que realizá-los. E muitas vezes, as crianças querem apenas se expressar...

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segunda-feira, 21 de março de 2011

Limites


















Uma garota de oito anos adorava jogar Damas com a mãe. Ela jogava bem e muitas vezes ganhava, o que lhe dava imenso prazer, mas quando percebia que estava perdendo o jogo dizia: “ah...não quero mais jogar”. De tal forma isso se repetia que a mãe começou a não gostar nada da brincadeira, percebia que alguma coisa não estava bem...Ficava, não apenas preocupada com a atitude da filha, mas também pessoalmente incomodada, frustrada pelo abandono do jogo. Naquele momento, não estava em questão apenas sua função materna, mas também a própria vontade de "brincar". Decidiu então colocar "um limite". Quando a filha veio pedir para jogar, disse: “sim, vamos jogar, mas o jogo tem que ir até o fim”. Nada fácil para ambas, a mãe jogava para ganhar, a garota suportava a situação, ia até o fim e, por vezes, conseguia ganhar.
Essa criança descobriu que aguentava perder e isso a libertou para outras atividades que apresentavam algum risco. Livrou-se da necessidade de interromper tantas vezes o que gostava de fazer por medo dos resultados.
Ao contrário do que habitualmente se pensa, limites bem colocados, adequados à idade, ampliam a liberdade da criança!

Caso observe um sofrimento persistente em seu filho, marque um horário.
Helena Grinover e Marcia Arantes

http://vivazpsicologia.blogspot.com.br/p/servicos_22.html

segunda-feira, 14 de março de 2011

Dependência psíquica 2





















A falta de satisfação dos desejos, a frustração, tem consequências importantíssimas para a constituição do nosso psiquismo. Quando nos falta alguma coisa somos levados a criar uma substituição, mudamos, e assim se amplia nossa capacidade de buscar outras vias de realização na vida...
A sabedoria popular diz que não se deve mimar as crianças. Podemos entender esse dito assim: se elas são sempre rapidamente atendidas, da maneira que desejam , resistem a mudanças. Têm poucas oportunidades de diversificar as maneiras de satisfação e ficam dependentes do que já conhecem. Também suportam mal o esforço para encontrar uma nova solução, tornam-se exigentes e sem paciência.
Forma-se assim o que conhecemos como um círculo vicioso,  "sempre mais do mesmo", cria-se a base para os vícios em televisão, jogos eletrônicos, comidas, compras..
Para que a ampliação psíquica ocorra é necessário que haja uma alternância entre a satisfação e a falta dela em dose suportável para cada idade e para cada criança. Afinal, as mudanças têm que vir num ritmo que possa ser "digerido" pelo psiquismo.
Aí está um grande desafio para os educadores, pais, famílias: quando e quanto dizer "não"?
Os famosos "limites", têm gerado perguntas nas nossas conversas com os adultos, sobretudo diante dos apelos da sociedade de consumo, baseada na crença de que a felicidade está em ter, ganhar, comprar...

Caso queira aprofundar esse assunto venha falar conosco.
Marcia Arantes e Helena Grinover
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Mesmos pais, filhos tão diferentes...

























É comum ouvirmos pessoas se surpreenderem com o fato de irmãos de mesmos pais se comportarem de forma tão diferente. Parte-se do princípio de que seres que recebem o mesmo tratamento deveriam ser iguais.
Grande equívoco por várias razões! Em primeiro lugar, nos equivocamos supondo que os irmãos têm os "mesmos pais". Os pais são diferentes para cada filho, embora sejam a mesma pessoa. Suas expectativas, tolerâncias, desejos, disponibilidades, são específicos para cada um, embora eles próprios muitas vezes não se deem conta disso. O momento da vida em que cada filho chega, a escolha do nome, a preparação para a chegada do bebê, são alguns dos fatores que, de início, já delineiam lugares diferenciados.
A criança, por sua vez, recebe os cuidados e atenções dos pais de forma absolutamente singular. É impossível saber, a priori, como cada uma vai responder a determinada atitude dos pais.
O ser humano dispõe de uma rede complexa de significados com a qual vive os acontecimentos. É o lugar em que a atitude dos pais vai se situar na rede de significados da criança que determina como ela a receberá.
A expectativa dos pais de que as reações sejam iguais em filhos diferentes, gera comparações que confundem a criança na medida em que as afastam de suas próprias vivências. Porque ela deveria ficar feliz como a irmã ao ganhar uma boneca, se o que desejava era um jogo? Porque um filho sente vergonha dos adultos e o outro fica com medo do escuro? Porque um chora de raiva e o outro se cala quando enfurecido?
Bom seria se a criança apenas fosse comparada com ela mesma, com sua próprias conquistas, com seus próprios desafios! Provavelmente se tornaria um adulto mais tolerante consigo e com os demais.

Caso observe um sofrimento persistente em seu filho, venha falar conosco.
 Marcia Arantes e Helena Grinover
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